quinta-feira, abril 30, 2009
terça-feira, abril 28, 2009
sábado, fevereiro 28, 2009
Quadrilha
João amava Teresa que amava Raimundo
que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili
que não amava ninguém.
João foi para os Estados Unidos, Teresa para o convento,
Raimundo morreu de desastre, Maria ficou para tia,
Joaquim suicidou-se e Lili casou com J. Pinto Fernandes
que não tinha entrado na história.
sexta-feira, fevereiro 27, 2009
Os últimos dias
Carlos Drummond de Andrade
Que a terra há de comer,
Mas não coma já.
Ainda se mova,
para o ofício e a posse.
E veja alguns sítios
antigos, outros inéditos.
Sinta frio, calor, cansaço:
para um momento; continue.
Descubra em seu movimento
forças não sabidas, contatos.
O prazer de estender-se; o de
enrolar-se, ficar inerte.
Prazer de balanço, prazer de vôo.
Prazer de ouvir música;
sobre o papel deixar que a mão deslize.
Irredutível prazer dos olhos;
certas cores: como se desfazem, como aderem;
certos objetos, diferentes a uma luz nova.
Que ainda sinta cheiro de fruta,
de terra na chuva, que pegue,
que imagine e grave, que lembre.
O tempo de conhecer mais algumas pessoas,
de aprender como vivem, de ajudá-las.
De ver passar este conto: o vento
balançando a folha; a sombra
da árvore, parada um instate
alongando-se com o sol, e desfazendo-se
numa sombra maior, de estrada sem trânsito.
E de olhar esta folha, se cai.
Na queda retê-la. Tão seca, tão morna.
Tem na certa um cheiro, particular entre mil.
Um desenho, que se produzirá ao infinito,
e cada folha é uma diferente.
E cada instante é diferente, e cada
homem é diferente, e somos todos iguais.
No mesmo ventre o escuro inicial, na mesma terra
o silêncio global, mas não seja logo.
Antes dele outros silêncios penetrem,
outras solidões derrubem ou acalentem
meu peito; ficar parado em frente desta estátua: é um
torso de mil anos, recebe minha visita, prolonga
para trás meu sopro, igual a mim
na calma, não importa o mármore, completa-me.
O tempo de saber que alguns erros caíram, e a raiz
da vida ficou mais forte, e os naufrágios
não cortaram essa ligação subterrânea entre homens e coisas;
que os objetos continuam, e a trepidação incessante
não desfigurou o rosto dos homens;
que somos todos irmãos, insisto.
Em minha falta de recursos para dominar o fim,
entrentanto me sinta grande, tamanho de criança, tamanho de torre,
tamanho da hora, que se vai acumulando século após século e causa vertigem,
tamanho de qualquer João, pois somos todos irmãos.
E a tristeza de deixar os irmãos me faça desejar
partida menos imediata. Ah, podeis rir também,
não da dissolução, mas do fato de alguém resistir-lhe,
de outros virem depois, de todos sermos irmãos,
no ódio, no amor, na incompreensão e no sublime
cotidiano, tudo, mas tudo é nosso irmão.
O tempo de despedir-me e contar
que não espero outra luz além da que nos envolveu
dia após dia, noite em seguida a noite, fraco pavio,
pequena amplo fulgurante, facho lanterna, faísca,
estrelas reunidas, fogo na mata, sol no mar,
mas que essa luz basta, a vida é bastante, que o tempo
é boa medida, irmãos, vivamos o tempo.
A doença não me intimide, que ela não possa
chegar até aquele ponto do homem onde tudo se explica.
Uma parte de mim sofre, outra pede amor,
outra viaja, outra discute, uma última trabalha,
sou todas as comunicações, como posso ser triste?
A tristeza não me liquide, mas venha também
na noite de chuva, na estrada lamacenta, no bar fechando-se,
que lute lealmente com sua presa,
e reconheça o dia entrando em explosões de confiança, esquecimento, amor,
ao fim da batalha perdida.
Este tempo, e não outro, sature a sala, banhe os livros,
nos bolsos, nos pratos se insinue: com sórdido ou potente clarão.
E todo o mel dos domingos se tire;
o diamante dos sábados, a rosa
de terça, a luz de quinta, a mágica
de horas matinais, que nós mesmos elegemos
para nossa pessoal despesa, essa parte secreta
de cada um de nós, no tempo.
E que a hora esperada não seja vil, manchada de medo,
submissão ou cálculo. Bem sei, um elemento de dor
rói sua base. Será rígida, sinistra, deserta,
mas não a quero negando as outras horas nem as palavras
ditas antes com voz firme, os pensamentos
maduramente pensados, os atos
que atrás de si deixaram situações.
Que o riso sem boca não a aterrorize
e a sombra da cama calcária não a encha de súplicas,
dedos torcidos, lívido
suor de remorso.
E a matéria se veja acabar: adeus composição
que um dia se chamou Carlos Drummond de Andrade.
Adeus, minha presença, meu olhar e minas veias grossas,
meus sulcos no travesseiro, minha sombra no muro,
sinal meu no rosto, olhos míopes, objetos de uso pessoal, idéia de justiça, revolta e sono, adeus,
adeus, vida aos outros legada.
quarta-feira, fevereiro 04, 2009
terça-feira, dezembro 09, 2008
quarta-feira, dezembro 03, 2008
anomalias
domingo, novembro 30, 2008
mimo

- Alface americana (iceberg lettuce)
- Aipo (celery)
- Pimentão vermelho (red bell pepper)
- Pimentão amarelo (yellow bell pepper)
- Cenoura (carrot)
- Pepino (cucumber)
- Tomate cereja (cherry tomato)
- Queijo cottage com orégano e alho fresco (cottage cheese with oregano and fresh garlic)
- Molho (Dressing): HELLMANN'S - Tomate com Manjericão (tomato and basil)
quinta-feira, novembro 27, 2008
Happy thanksgiving
Apresentemo-nos diante dele com ações de graças.
sexta-feira, outubro 24, 2008
educação em tempos de crise
Gosto de cheirar e deslizar meus dedos em cada livro novo que adquiro. É mágico! Talvez esse seja mais um dos motivos que me faz ter certa aversão ao grande mal necessário: a fotocópia, vulgo xerox. Essa só tem a vantagem de poder ser muito rabiscada sem pesar a consciência.
Sinto falta dos meus cadernos das aulas de economia, ainda mais neste momento de crise econômica. Mercados caem, dólar aumenta, governo intervém colocando dólares no mercado; taxa de juros sobe na tentativa de incentivar o investimento e trazer assim divisas para o mercado interno. Mas até quando o governo conseguirá controlar a taxa de câmbio? bla bla bla.... Não dá para prever no que dará, mas só sei que os livros importados ficarão mais caros e a fotocópia ainda terá o seu lugar garantido por algum tempo, pelo menos na minha "xeroteca".
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PS: Dólar fecha em alta de 1% e dispara 10% na semana
quinta-feira, outubro 23, 2008
inventora de modas

Há alguns anos eu quis pintar minha geladeira dessa cor, mas ouvi um coro dizendo: que invenção de moda!
"Que invenção moda"- já ouvi isso tantas vezes na minha vida que fico pensando o que teria sido de mim se além de invetora de modas eu tivesse sido mais teimosa.
Mas ainda não desisti - talvez seja teimosa, é só uma questão de tempo - e ainda inventarei muitas modas!
quinta-feira, setembro 25, 2008
Few of my favorite things
The Sound of Music - (A Noviça Rebelde) / 1965(...)
When the dog bites
When the bee stings
When I'm feeling sad
I simply remember my favorite things
And then I don't feel so bad
imagem: cena na qual Maria - Julie Andrews - distrai as crianças que estão com medo da tempestade enumerando algumas das coisas que lhe são favoritas.

